quarta-feira, 25 de abril de 2012

CNJ envia conselheiro a Roraima para ouvir magistrado


Conselheiro Jorge Hélio Chaves Oliveira, membro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), está em Roraima. Veio ouvir um magistrado denunciado ao Conselho, cujo processo corre em segredo de Justiça.

Jorge Hélio disse agora há pouco que a oitiva do magistrado em questão foi realizada ontem. Enquanto desempenha sua função de membro do CNJ, Jorge Hélio aproveita para visitar instituições como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), secção Roraima, e Assembleia Legislativa.

Corta. Vamos para outro aspecto da visita de Jorge Hélio que me chamou a atenção.

Agora há pouco, em conversa com os deputados Chico Guerra e Aurelina Medeiros (PSDB), Mecias de Jesus (PRB), Flamarion Portela (PTC) e Joaquim Ruiz (PV), Jorge Hélio disse que o Poder Legislativo é o mais observado pela sociedade e o mais exposto, devido às denúncias na imprensa.

Ele observou que isso se deve ao fato do Legislativo não ter uma verba generosa para publicidade, como acontece com o Executivo federal, por exemplo.

Jorge Hélio exemplificou citando o caso da Petrobras, que depois da criação da CPI para investigar a estatal petroleira, aumentou em seis vezes a verba destinada à publicidade, o que fez com que as investigações perdessem o interesse da mídia nacional.

O conselheiro do CNJ sugeriu aos deputados roraimenses (certamente a título de brincadeira) que aprovem um orçamento específico e generoso para publicidade, pois assim as denúncias contra o Legislativo roraimense tendem a sumir do noticiário. 

No mínimo curioso.

Dez anos de jornalismo em Roraima

Hoje é um dia especial para mim. Foi no dia 25 de abril de 2002 que iniciei minha atividade jornalística aqui em Roraima. Fazia pouco mais de dois meses que eu havia chegado do Ceará, onde iniciei minha carreira na imprensa, no ano de 1995, como plantonista esportivo e depois como repórter de pista nas transmissões esportivas do Campeonato Cearense de Futebol. Cheguei a esse pedaço extremo do Brasil para fazer concurso para professor, mas sem perder o foco na profissão que me encanta de verdade desde sempre, que é o Jornalismo. Fazia alguns dias que eu havia deixado meu currículo no jornal Folha de Boa Vista e, depois de ser chamado para um entrevista com a diretora Paula Cruz, iniciei o trabalho como repórter do principal diário de Boa Vista. Era exatamente o dia 25 de abril de 2002. Hoje, portanto, completo dez anos de atividade jornalística em Roraima.


Já vi, escrevi e comentei muita coisa nesse tempo. Tenho histórias guardadas em anotações e na memória que dá para escrever uns três livros sobre questões políticas e sociais daqui. Passei muitos momentos bons e, a exemplo do que acontecia quando exercia o Jornalismo no Ceará, consolidei o meu nome como profissional de imprensa. Não sou e nunca quis ser unanimidade. Já acertei e errei muito e provavelmente vou continuar acertando e errando sempre, pois isso é próprio desse ser falível, que é o ser humano. Sou grato a Roraima por tudo e tenho buscado retribuir o acolhimento recebido, tentando divulgar e defender o bom e o correto para o estado e criticado o que considero ser danoso para o desenvolvimento local.

Como jornalista, optei por viver no fio da navalha da cobertura política, onde os egos e os interesses mais diversos e inconfessáveis estão sempre presentes. Aqui em Roraima já fui ameaçado por um ex-prefeito que gosta de ser chamado pela alcunha equivalente a cão sarnento. Pouco tempo depois da minha chegada em Roraima, numa reunião de jornalistas, fui chamado de forasteiro, que nem sabia se iria ficar por aqui. Fiquei. E resolvi incomodar fazendo um jornalismo político que vai continuar incomodando por falar verdades, mas que não se dá o direito de ceder a baixarias. Para mim, a palavra de ordem é nivelar por cima. Nuca por baixo. Aqui em Roraima tenho aprendido e ensinado. E hei de aprender e ensinar muito mais.

Ousei fazer aqui o que se faz nos centros mais evoluídos. Com o único objetivo de contribuir com o aperfeiçoamento diário da prática jornalística, me propus a escrever uma coluna de crítica da mídia e, assim o fazendo, atraí para mim admiração e fúria. Admiração daqueles que entendem que o jornalismo, como qualquer atividade humana, vive em busca da perfeição e da verdade, mas é imperfeito e de vez em quando tropeça em meias verdades. E fúria daqueles que se acham estrelas intocáveis e que, portanto, seus erros não podem ser comentados de forma pública. Mas fiz. E só não continuei a fazê-lo, porque minha relação com o jornal que publicava a coluna foi interrompida por mim de forma brusca, por considerar que houve falta de respeito à equipe que colocava o jornal na rua todos os dias. Mas essa é outra história.

Nesses dez anos de jornalismo em Roraima, ajudei a criar pelo menos dois veículos de comunicação: o jornal Roraima Hoje, cuja marca é minha, ainda que esteja cedida sem nunca ter havido um acerto financeiro para que ela continuasse a ser usada, depois da minha saída do jornal; e o jornal Monte Roraima, que já não existe mais. Participei das primeiras reuniões que resultaram na criação dessas duas publicações, que poderiam ter ido bem mais longe, se os responsáveis por elas tivessem uma visão mais clara do que é fazer jornal impresso. Mas esta também é outra história. E assim, entre um desafio e outro fui construindo a minha trajetória no jornalismo roraimense.



Em mais da metade desses dez anos, minha atuação tem sido marcada pela manutenção deste blog Política com Pimenta, uma página que começou sem grandes pretensões, mas que passou a ser minha principal identidade como profissional de jornalismo, ainda que não seja dele que tire o meu ganha-pão. No blog, faço uma espécie de colunismo político misto, onde publico opiniões mescladas a informações. Tudo junto ou separado. No Política com Pimenta já publiquei muito material em primeira mão e repercuti outro tanto de material publicado por terceiros. Com ele já me meti em confusão, defendi pessoas que considerava amigas, consegui e perdi empregos e, certamente, vou continuar arranjando confusão, recebendo propostas de emprego e correndo o risco de perdê-los, pois meu pensamento não tem preço nem é negociável. São muitas histórias...

Com esse texto, busco apenas relembrar momentos importantes desses dez anos de atividade jornalística nesse pedaço extremo do Brasil. É um apontamento sobre o que passou e sobre o que virá. Porque a vida segue. E eu também.

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