quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Permanece a polêmica do caso Alfonso Rodrigues

A polêmica em torno da perda de mandato ou não pelo vereador Alfonso Rodrigues (PR) tem se estendido bem mais do que o esperado. Até ontem era dada como líquida e certa a decretação da perda de mandato do vereador condenado, há três semanas pela Justiça Federal, por envolvimento em fraude ao INSS em 2004. Os advogados da primeira suplente do partido, Janice Coelho, tinham convencido o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de que a sua cliente deveria assumir. Mas, depois de consultar a assessoria jurídica da Câmara Municipal de Boa Vista, a mesa-diretora da Casa decidiu que não vai atender a determinação do juiz Rodrigo Furlan, que determinava a destituição de Alfonso Rodrigues e a posse de Janice no prazo máximo de 48 horas a contar de segunda-feira. 

O presidente da Câmara, Braz Behnck (PPS) decidiu que a situação do vereador Alfonso será decidida na próxima terça-feira (27), numa sessão especial em que será realizada uma votação secreta para decidir se ele deve perder o mandato ou não. Agora o destino do parlamentar está nas mãos dos seus colegas. A decisão foi tomada pela Mesa diretora por entender que Alfonso Rodrigues não cometeu crime eleitoral e que, portanto, não cabe nem à justiça comum nem ao TRE decidir pela perda do seu mandato. Quem tem que decidir isso é a mesa-diretora da Casa. E assim será. 

Isso significa que, mais uma vez, Janice Coelho poderá não realizar o seu ardente desejo de ser vereadora, pois é bem provável que os vereadores decidam não prejudicar o colega que já está na Câmara há 28 anos. Aliás, Alfonso declarou que não pretende concorrer a reeleição no pleito de 2012. 

Célio Wanderley conseguirá liderar a bancada? Esta é a pergunta que se faz agora

Na segunda-feira (19), eu escrevi um aqui post falando sobre a escolha do deputado Célio Wanderley (DEM) pelo governador José de Anchieta (DEM) para ser seu líder na Assembleia Legislativa, quando afirmei que o democrata vinha sendo cogitado há algum tempo para a liderança. Antes mesmo da escolha do ex-líder, Joaquim Ruiz (PV). Pontuei que Célio Wanderley é tido entre alguns de seus pares como um deputado absolutamente fiel ao governo, além de ser discreto e que, em seu meio, alguns defendiam há tempos que ele merecia uma chance do governo para uma função de maior destaque.

Desde então, conversando aqui e ali sobre a escolha de Wanderley para a liderança com colegas jornalistas e com alguns outros políticos, tenho escutado alguns comentários que contestam a escolha feita pelo governador Anchieta. De acordo com as análises, Célio Wanderley não tem o perfil necessário para exercer a liderança diante de uma bancada governista desunida e cheia de medalhões com disposição de passar por cima de todos aqueles se colocarem em seu caminho ou que eles entendam ser um empecilho para a satisfação das suas vaidades.

Célio Wanderley tem tido uma atuação tímida como deputado. Faz poucos pronunciamentos, quase nunca usa a tribuna (antes da indicação e de se escolhido como líder essa era a tônica do seu mandato) e fica mais na dele sem se meter em polêmica. Vez ou outra levanta a voz para contestar uma ou outra afirmação de um dos colegas. Mas no meio jornalístico a escolha de Wanderley caiu como uma espécie de surpresa, pois todos consideram que ele não terá o pulso firme necessário para comandar uma base alidada sempre faminta de atenção do governador e nem sempre 100% leal. Quem vive os bastidores da Assembleia Legislativa sabe bem do que estou falando.

Como não tem nem uma semana da nomeação de Wanderley como líder, talvez seja cedo para avaliar ou fazer um prognóstico do seu desempenho. A prática diária nos embates públicos e entre as quatro paredes dos gabinetes da Assembleia é que vai revelar que tipo de líder o governador Anchieta escolheu. Se Wanderley continuar com seu jeito manso e sua passividade costumeiros, será tragado pela oposição sempre aguerrida e faminta por denúncias contra o governo e pelos próprios colegas da base aliada.

Resumindo: ser líder do governo na Assembleia, na atual conjuntura não vai ser tarefa fácil para Célio Wanderley.
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