O Ministério Público Federal (MPF) propôs ação penal pública contra o
ex-governador do Estado de Roraima, Neudo Ribeiro Campos, contra o
ex-secretário de Saúde, Sérgio Pillon Guerra e contra os
ex-secretários de Obras, Francisco Flamarion Portela e Raul Ribeiro
Pinto, por terem desviado verbas públicas recebidas em convênios
firmados, no ano de 1997, com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Os recursos eram destinados à reforma e compra de equipamentos para o
Hospital Geral de Roraima, Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de
Nazaré e Hospital do Município de Alto Alegre.
Segundo a denúncia, o governo de Roraima recebeu no total R$
11.902.192,34 (onze milhões, novecentos e dois mil, cento e noventa e
dois reais e trinta e quatro centavos) para a execução de obras
emergenciais e compra de equipamentos para os dois hospitais do estado
e o do município de Alto Alegre. Contudo, foram constatadas várias
irregularidades, como o superfaturamento e inexecução das obras,
ausência da compra dos equipamentos e a prática de cartel entre as
empresas vencedoras da licitação.
Os acusados apresentaram documentos sobre a execução e pagamento dos
serviços. No entanto, os laudos e as inspeções feitas demonstraram que
os serviços supostamente prestados foram executados parcialmente. "Os
laudos técnicos atestam com veemência a materialidade dos desvios das
verbas públicas destinadas à realização dos serviços e aquisição de
equipamentos", afirmou o procurador regional da República, Guilherme
Magaldi Netto.
Os principais responsáveis pelo desvio de verbas são o ex-governador,
Neudo Ribeiro, por ter sido o assinante do convênio, o ex-secretário
de Saúde, Sérgio Pillon, e os ex-secretários de Obras, Francisco
Flamiron e Raul Ribeiro, por terem sido os comandantes das obras. A
denúncia teve origem na Procuradoria Regional da República da 1ª
região (PRR1), pois o ex-secretário de Obras, Francisco Flamarion,
ocupa atualmente o cargo de deputado estadual, o que garante ao
parlamentar foro por prerrogativa de função no Tribunal de Justiça do
Estado. Como o crime envolveu desvio de verbas públicas federais, por
analogia, a competência para julgar o caso foi transferida ao TRF1.
Além dos representantes do governo do estado, os membros da Comissão
de Licitação, Sônia Nattrodt Bessa, Edilamar Thomé Fernandes e
Roberval Gama de Almeida e os fiscais das obras, Antônio Valdy
Fontinele, Edivaldo Sabino Miranda e Marcelo Mesquita, tiveram sua
participação no desvio e superfaturamento comprovadas, por não terem
cumprido com suas obrigações legais. As empresas Elo Engenharia e R.
Neves Engenharia, que foram contratadas para a execução das obras,
também tiveram seus representantes indiciados pela não conclusão das
obras.
O MPF pediu o recebimento da denúncia pelo Tribunal Regional Federal
da 1ª Região (TRF1) e a condenação dos acusados pela prática dos
crimes de fraude em licitações (art. 96 da Lei 8.666/93) e apropriação
ou desvio de dinheiro público (art. 132 do CPB). Se condenados, os
acusados podem cumprir pena de reclusão em penitenciária ou prisão
comum, pelo período de dois a 12 anos, além de pagar multa.
Nº do inquérito policial: 0014194-54.2011.4.01.0000
PS - Esta notícia foi publicada originalmente no site do Ministério
Público Federal.
Compartilhe Esse Artigo: