‘O Brasil está mudando’
“A corrupção é uma mácula que não se erradica, não se extermina, pois a corrupção é inerente a sociedade, é inerente ao homem. O que devemos buscar fazer é mantê-la sob controle”. A afirmação é do procurador regional eleitoral, Ângelo Goulart Vilela (foto), personagem de atividade marcante nas eleições de 2010 em Roraima e que escolhemos para retomarmos a nossa série de entrevistas aos sábados no jornal Monte Rorima. Para o representante do Ministério Público Eleitoral (MPE), estamos experimentando, aos poucos, a redução da impunidade em nosso país. Ele afirma que estamos progredindo. O Brasil está mudando”.
Responsável por manter a ordem constitucional e jurídica nas últimas eleições, o procurador observa que “a corrupção eleitoral é uma praga que interfere no nosso desenvolvimento. O político que se elege comprando voto do eleitor não o representa, não defende os seus interesses. O seu mandato não tem legitimidade”. Mas ele não deixar de crer em mudanças positivas que, ainda lentamente, vão se processando no Brasil. Para ele Não há diferença entre o político que compra e o eleitor que vende o voto. “O eleitor que vende o seu voto, vende também uma educação de qualidade, vende um serviço de saúde digno, vende a esperança de um futuro melhor. E isso funciona como um ciclo vicioso”, afirma.
Ângelo Vilela observa que pelo fato do de Roraima ter o menor eleitorado do país não significa que seja mais fácil fiscalizar e conter os ânimos. “O pequeno número de eleitores torna a eleição mais disputada, o que deixa os ânimos mais acirrados. E em nosso estado a disputa eleitoral afeta diretamente a vida de nossa população, tendo em vista a notória dependência que grande parte da população tem frente ao governo”, frisa Ângelo Vilela. Confira a íntegra da entrevista a seguir:
Monte Roraima – Para começar nossa conversa, o que o levou a escolher a carreira de defensor dos direitos do cidadão, no Ministério Público?
Ângelo Goulart Villela - O Ministério Público sempre esteve presente na minha formação jurídica, pois orgulhosamente tenho como colegas de carreira o meu pai e o meu irmão. Além disso, o papel do MP como defensor da ordem jurídica e da sociedade sempre me seduziu, especialmente o Ministério Publico Federal, por ser uma das instituições de maior credibilidade e prestígio do país.
MR – Numa escala de 0 a 10, como o senhor avalia o grau de maturidade da democracia brasileira? O que ainda falta para evoluirmos nesse quesito, em sua opinião?
Ângelo Goulart - Numa perspectiva otimista, ao meu juízo, daria nota seis. A democracia em seu aspecto formal é plena em nosso país, pois temos eleições livres, voto universal e periódico, liberdade de imprensa, livre expressão de pensamento, entre outras garantias constitucionais. Todavia, ainda carecemos de uma democracia mais sólida em seu aspecto substancial, como o exercício mais efetivo da cidadania, fiscalizando e cobrando postura de nossos governantes. Além disso, o eleitor deve exercer o seu voto com consciência, escolhendo com mais rigor os seus representantes. O governo é o reflexo de sua sociedade.
MR – Para um procurador eleitoral, quais as principais dificuldades para manter a ordem ou fiscalizar um pleito em Roraima?
Ângelo Goulart - Roraima é o menor colégio eleitoral do país e isso, ao contrário do que se pensa, não torna o pleito mais fácil. O pequeno número de eleitores torna a eleição mais disputada, o que deixa os ânimos mais acirrados. E em nosso estado a disputa eleitoral afeta diretamente a vida de nossa população, tendo em vista a notória dependência que grande parte da população tem frente ao governo. Na esteira desses temperos, sem dúvida alguma, nossa maior dificuldade é combater a praga da corrupção eleitoral e do abuso do poder político.
“Em Roraima, o que mais impressiona é o fato da compra de votos ser aceita culturalmente como algo comum, ordinário” - Ângelo VilelaClique no link em vermelho e confira a íntegra da entrevista com o procurador eleitoral Ângelo Goulart Vilela. Ou copie da caixa de texto abaixo e leia onde e quando quiser. Se for reproduzir em algum lugar, não esqueça de dar o crédito.



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