sábado, 5 de junho de 2010

Os dez mandamentos da imprensa, segundo Paul Johnson

Como reflexão de final de semana, posto aqui no blog os dez preceitos [mandamentos] que devem ou deveriam ser observados pelos jornalista que querem desempenhar bem, responsável e dignamente a profissão. As anotações em itálico são meus comentários sobre cada um dos mandamentos. Confira:

[1] É preciso ter o desejo dominante de descobrir e contar a verdade [independente de quais forças queiram ocultá-la];

[2] Os jornais devem pensar nas consequências do que dizem [as listas negras com o nome dos desafetos dos donos dos jornais tem que sumir das redações];

[3] Contar a verdade não é o bastante. Pode ser perigoso sem julgamento formado [aqui entra novamente o mito que sempre tento derrubar: a hipocrisia da imparcialidade. Donos de publicações tem interesses que defendem com unhas dentes e jornal e jornalistas tem ponto de vista, logo esse mito cai por terra];

[4] Os jornalistas devem possuir o impulso de educar [acredito que essa deva ser uma das principais preocupações de quem faz jornalismo. Ser ao mesmo tempo professor e jornalista me mostrou o quanto isso é importante];

[5] Os que dirigem os meios de comunicação devem distinguir opinião pública de opinião popular [essa confusão às vezes é criada de propósito para confundir os leitores. Assim fica mais fácil de manipular];

[6] É preciso ter disposição para liderar. O poder requer responsabilidade e responsabilidade significa liderança [e essa liderança se consegue pela confiança e credibilidade construída junto aos leitores];

[7] É preciso mostrar coragem. Essa é a virtude que mais falta na mídia [e mostrar coragem não é sair bradando desaforos. É ter a convicção de que é preciso publicizar certas coisas que os poderosos pretendem manter ocultas em detrimento do bem coletivo. Fazer o jogo do poder é sempre danoso à sociedade];

[8] É preciso disposição para admitir o erro. A livre aceitação do erro é a melhor prova de senso de hora [lembro-me bem que fui criticado por manter uma coluna onde os erros de um jornal em que trabalhei eram assumidos publicamente por mim. Continuo fazendo e pensando da mesma forma];

[9] Tem que se agir com equidade geral. Jornais justos chamam a atenção a quilômetros de distância, porque são raros [e estão ficando cada vez mais raros, porque o que importa para os publishers é manter proximidade do poder para barganhar as gordas verbas publicitárias];

[10] Respeitar e honrar as palavras. Elas são inseparáveis da verdade [mas tem gente que usa as palavras para camuflar verdades e defender apenas interesses que beneficiam apenas um pequeno grupo de ungidos].

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