terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Uma Câmara marcada pela diversidade

Ontem iniciei uma nova caminhada na minha vida profissional de jornalista e professor: a orientação voltada a políticos de primeiro mandato sobre o papel do legislador, técnicas de redação legislativa e como falar em público. Fui convidado a ministrar um curso para o vereadores eleitos no município do Cantá. Muito gratificante a participação de pessoas da comunidade interessadas em entender como funciona o tramite dos projetos e como um cidadão sem mandato pode encaminhar para a Câmara de Vereadores um projeto de iniciativa popular. O curso tem 32 horas e será concluído na próxima semana.
A composição da Câmara Municipal do Cantá ficou bem diversificada, após o último pleito. Todos os vereadores eleitos representam comunidades fora da sede (vilas e vicinais). Dos nove vereadores eleitos, cinco são mulheres. Apenas dois conseguiram a reeleição. Também são mulheres. Há um vereador indígena, um caminhoneiro, uma produtora rural e uma auxiliar de serviços gerais. Formidável do ponto de vista da representatividade popular. A Câmara do Cantá tem um forte histórico de sessões polêmicas, com discussões acirradas de projetos.

"Eu quero ser senador", diz Mecias

O presidente da Assembléia Legislativa de Roraima, depuado Mecias de Jesus (PR), anunciou hoje publicamente, num programa de televisão, que pretende concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de 2010. Embolou o meio campo, então, pois é candidato de mais para vaga de menos. O governador Anchieta Júnior precisará ter um jogo de cintura tremendo para escolher quem vai apoiar em 2010. De início ele tem dois candidatos "mais próximos" a quem, em tese, deverá apoiar: Marluce Pinto e Romero Jucá. Digo, em tese. Claro que com o processo de fritura pelo qual passa Marluce e pela pouca probabilidade de que um acordo com Jucá dure a longo prazo, outras possibilidades podem surgir. Por exemplo, ainda temos os pretendentes Chico Rodrigues (DEM), Augusto Botelho (PDT) e agora Mecias de Jesus. Serão apenas duas vagas a serem disputadas. De sua parte Mecias diz que a sua decisão de concorrer ao Senado faz parte de um acordo firmado com o então governador Ottomar Pinto. Porém, não custa nada lembrar que o governador Anchieta Júnior está aos poucos repensando e passando por cima de muitos dos acertos firmados quando o brigadeiro ainda era vivo. Certamente, Ottomar não teria aprovado a aliança com Jucá pouco mais de 24 horas depois de encerrada a contagem dos votos das eleições municipais. E o que é pior: com o canddiato governista (Luciano Castro, PR) derrotado. Mecias, como um deputado experiente e um político influente que é, tem todo o direito de senhar com uma vaga no Senado. Mas muita saliva ainda será gasta no fechamento de acordos para acomodar todas as conveniências. No entanto, o clima de 2010 já está instalado em Roraima.

Imagem: Roraima em Foco
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