Em entrevista à Revista Imprensa, no final do mês de setembro, o jornalista Ulisses Capozolli, editor da Scientific American Brasil e mestre e doutor em Ciências pela USP,diz que além de todos os problemas enfrentados pela região ainda há o discurso segundo o qual "índio bom é índio morto" que também passa despercebido pelos brasileiros das demais regiões. Reproduzi abaixo um trecho da entrevista que Capozolli deu à Imprensa.
"A Amazônia é desconhecida há muito. O desconhecimento que se tem, no Centro-Sul, em relação à Cabanagem, por exemplo, é uma amostra disso. De qualquer maneira, neste momento, há um acelerado processo de urbanização em toda a Amazônia. E há também uma corrida por ocupação totalmente irregular de terras, sem qualquer amparo na lei. Ao contrário disso, pelo completo arrepio à lei. O caso da reserva Raposa Serra do Sol, nas manchetes dos jornais, é um exemplo disso. Vozes conservadores e ou mal intencionadas costumam dizer que reconhecer as terras indígenas é uma forma de internacionalizar a Amazônia (os índios seriam manipulados do exterior). Mas o fato é que as terras indígenas são terras da União e isto está escrito na Constituição. Essa gente se esquece, convenientemente, de dizer que as etnias que ocupam agora a reserva Raposa Serra do Sol têm ancestrais que defenderam as terras do Brasil contra pretensões inglesas, por exemplo. Em resumo: na Amazônia, neste momento, se joga um jogo pesado e desonesto, guiado pelo despotismo político e econômico. Em Boa Vista, capital de Roraima e em outras regiões, há um discurso sem meias palavras de que "índio bom é índio morto". Talvez o resto do país, o Sudeste, especialmente, não saiba disso".Vale a pena ler a íntegra da entrevista.



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